Gênesis de Robert Crumb

Game Over

Sobre Interpretações

Nada é Certo, Tudo é Possível

Fitna no YouTube

domingo, 30 de março de 2008

Aproveitei para colocar a versão de Fitna, que eu legendei em português, no YouTube. Desta forma você tem a opção de baixar via Torrent, ou assistir diretamente deste blog via YouTube.

Veja o comentário que eu fiz a respeito do vídeo clicando aqui.

Por se tratar de um filme com conteúdo racista e que incita a violência, creio que talvez você precise efetuar o login no site do YouTube, em todo caso, aí vaí.

Parte 1



Parte 2



Parte 3

Fitna - O nazismo estaria de volta?

Tive a infelicidade de assistir ao mini-documentário - se assim podemos dizer - Fitna, da autoria do político holandês Geert Wilders, lider do PVV (Partido da Liberdade). Fitna surgiu como um vídeo na web no ultimo dia 28, porém a pedido judicial, o vídeo foi retirado poucas horas depois de públicado.

O site oficial foi suspenso por violar as políticas do provedor: http://www.fitnathemovie.com/
Ou em: http://en.wikipedia.org/wiki/Fitna_%28film%29 (Neste link tem um pequeno video explicando o porque da remoção).

Nada que não pudesse ser achado via Torrent ou no YouTube. No fim, acabei fazendo a legenda do filme para o português, disponibilizei-a na web (pode ser baixada no site http://www.legendas.tv/, ou clicando aqui) e decidi que todos devem assistir este filme. Explicarei o por que.

Fitna pode ser traduzido a patir do árabe como Caos. O filme é um conjunto de passagens do Alcorão, com imagens de atos e discursos terroristas, e que incitam o preconceito religioso contra os muçulmanos. Wilders diz que o intuito é somente alertar contra o perigo da ocupação muçulmana na Europa, porém o grande objetivo, sem sombra de dúvidas, é incitar um levante e provocar xenofobia religiosa (entenda como aversão aos seguidores de Mohammed).

E eis o motivo porque lhes trago este vídeo: este é o mundo a qual vivemos. Um mundo onde as pessoas não sabem conviver em paz, um mundo onde as pessoas normais e os fanáticos são colocados lado-a-lado, onde os inocentes pagam pela culpa dos outros, e por mais que tudo isto pareça repleto de clichês, esta aí a prova estamos longe de evoluir. Para mim, a atitude do senhor Wilders faz com que ele chacine todas as esperanças que eu tinha em combater a máquina, ao mesmo tempo que confirma todas as minhas suspeitas: a ignorância, o egoísmo e a individualidade sobressaem sobre tudo aquilo que poderia ser bom.

O documentário generaliza o povo muçulmano e distorce certos dizeres do Alcorão, em traduções que não condizem com o significado do Alcorão. Pegue as Suras mencionadas no vídeo e compare com as traduções disponíveis e português e inglês. Você verá diversas distorções no texto, com o intuito de menosprezar a cultura islâmica.

Ora, se o livro sagrado do islamismo está repleto de incitações relacionadas ao ativismo religioso, como fica o livro sagrado dos cristões, a Bíblia? São chacinas atrás de chacinas, fora os crimes cometidos pela Igreja. Por que Wilders não mencionou em seu documentário o quanto o cristianismo é perigoso, se observamos o histórico da religião?

E outra, como pode o Brasil, país dito subdesenvolvido, de terceiro mundo, com diversos escândalos de corrupção, pessoas vivendo sob extremas condições de miséria, e ainda assim, ter conseguido superar todas as diferenças religiosas, visto que aqui caminhamos judeus, muçulmanos, cristões, budistas, umbandistas e ateus todos juntos, respeitando cada um as suas crenças e não desafiando o intelecto e a paciência do outro?

O que falta são os europeus, em matéria de harmonia e paz religiosa, estagiarem nos países da América Latina. Aqui não existe terrorismo e homens-bombas. Nossos problemas relacionadas à criminalidade são produtos de nosso meio, onde o governo só está preocupado em arrecadar impostos e embolsar o dinheiro do povo, onde a desigualdade e o enorme buraco que separa os ricos dos pobres faz com que se busque alternativas de vida, em âmbito de sobrevivência.

E mesmo assim, ainda podemos sorrir. Não sei porque, o brasileiro ainda acredita que as coisas irão melhorar, surge uma expectativa que vem do nada, não tem origem de ser. E ainda que eu não concorde com tanta aceitação, admiro a ingenuidade e a inocência das pessoas que se contetem com o arroz-feijão-e-ovo e o futebol-e-novela, se satisfazendo com tão pouco.

O que Wilders está fazendo é um discurso semelhante ao que Hitler fez no nazismo: Devolvam a Holanda para os holandeses; exterminem o lixo da sociedade (neste caso, os muçulmanos), pois eles retiram o espaço que é seu. Enfim, é tudo muito perigoso.

Espero que justiça seja feita. O mais justo é que Wilders seja silenciado através de uma prisão vitalicia decretada. Não há mais espaço para tanto mal. O que ele fez foi uma tentativa de levantar pessoas contra inocentes, de arruinar vidas, de criar uma tempestade e abalar a calmária. Ele tentou obscurecer o sol... Ele tentou acabar com a esperança, e não há crime maior do que este.

Uma Piada Para Chorar

quinta-feira, 27 de março de 2008

Recebi a seguinte piada capitalista:

A filha chega da escola e fala com o pai:
- Pai, eu sou socialista!!
- O QUE MINHA, FILHA? ACHO QUE NÃO OUVI DIREITO.
- Sou socialista, pai!!
- CÊ TÁ DE SACANAGEM, NÉ ?
- Não, pô. O professor de história lá do colégio falou que...
- Ok filha. Tá bom.

[2 semanas depois]

- Pai, tirei 10 em matemática!!
- Muito bem, minha filha. Parabéns!
- Estudei o fim de semana todo, mas valeu a pena. Enquanto eu estudava
minhas amigas ficaram na praia, pegando sol...
- E quanto elas tiraram?
- Uma tirou 4, e outras duas tiraram 3.
- Viu, filha? Seu esforço teve uma recompensa.
- É, haha
- Agora divide sua nota com elas.
- QUE?
- Divide sua nota com elas, ué. São suas amigas e você quer o bem
delas, não é? Divide a nota que todo mundo passa e fica feliz!!
- NÃO, CLARO QUE NÃO! EU ESTUDEI O FIM DE SEMANA TODO, PAI! ELAS
FICARAM DE VADIAGEM! QUE IDÉIA ABSURDA!
- Pois é... bem vinda de volta ao capitalismo, filha ...


Tudo verdade, eis o mundo regido pela máquina! É um comendo o outro!

Choremos, pois!

Uma Discussão Sobre Condicionamento e Alienação

Hoje, eu enviei à alguns colegas de trabalho dois trechos de artigos que li na internet com fins de demonstrar alguns fatos que geralmente não são divulgados pela grande mídia de massa de nosso país.

Primeiro trecho:
Proibida aos palestinos

Esta é a auto-estrada 443, que vai de Jerusalém a Tel Aviv e pela qual os palestinos estão proibidos de trafegar, apesar dela atravessar o território palestino da Cisjordânia. Eles entraram com um pedido no Supremo Tribunal de Israel para que pudessem utilizá-la, mas perderam.

A Associação dos Direitos Civis em Israel protestou contra a decisão judicial, alegando que ela é discriminatória e viola a legislação internacional. De nada adiantaram os protestos.

Isto me lembra quando os franceses colonizavam a Argélia. Havia vários locais proibidos aos naturais da terra, e em alguns estabelecimentos havia placas onde estava escrito: 'É proibida a entrada de cães e argelinos'.


fonte: http://blogdobourdoukan.blogspot.com/2008/03/proibida-aos-palestinos-esta-auto.html

A respeito disto fiz o seguinte comentário:
Depois acham um absurdo que os palestinos pratiquem atentados terroristas contra os israelenses. Não concordo com este tipo de atitude, porém a motivação de uma ação extrema é justificável.

Segundo trecho:
Um trecho de uma entrevista com uma professora da Unisinos (Rio Grande do Sul)

HU On-Line – Recentemente, Luís Nassif, em seu blog, divulgou um dossiê sobre a Veja, que ele chama de o "maior fenômeno de antijornalismo dos últimos anos". Qual é a sua opinião sobre o tipo de jornalismo que essa revista faz?

Ivana Bentes Oliveira – O jornalismo da Veja já virou motivo de piada nos cursos de Jornalismo e comunicação. E é ótimo para dar exemplo porque é de tal forma deformado, repensado, direcionado que acaba se tornando uma caricatura do antijornalismo.

fonte: http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=&task=detalhe&id=12724

Diante do texto, um dos colegas a qual eu enviei o texto responde:
Desculpe, mas 'uma ação extrema' deve ser pacifica acima de tudo. Vivemos entre bilhoes de pessoas. Cada um tem seu ponto de vista, sua cultura, seus ideais, suas influencias e seu poder capitalista. O mundo gira sobre esses e outros inúmeros fatores e sempre será assim. Acho que devemos é procurar viver da melhor forma entendendo o próximo e respeitando o próximo.

Acho que todos devem ter liberdade para protestar, fumar, beber, tudo o que quiser, desde que não prejudique nenhuma outra pessoa e principalmente colocar a vida de seres humanos em risco.

Pago meus impostos e todo dia vejo meu carro sendo destruido pela minha rua que não tem asfalto. Da mesma forma que os politicos 'driblam' a necessidade de asfaltar minha rua, eu e alguns moradores tentamos de outras formas arrumar isso. Pode ser que uma hora eu desista até, mas não irei matar o Kassab por causa disso.

Uma vez fui processado por uma pessoa que nunca vi na minha vida... e adivinha? Ela ganhou o processo. Tudo bem, tenho vontade de mata-la, mas nao justificaria. Hoje procuro os mesmos meios 'pacificos'.

Quanto a Veja, papo velho.. mas a população continua lendo. Conheço uma jornalista da Veja e por exemplo, o próprio marido se nega a ler a revista rs... Eu sou assinante, continuo a ler pois acho que existem matérias muito boas. Por outro lado, não 'engulo' tudo que está escrito, faço um filtro e até mesmo procuro outras opinioes sobre um tema (já que a veja não é nada imparcial). Ai cabe cada um, filtrar, absorver e até mesmo negar os fatos da revista.

Da mesma forma que leio a veja, procuro ler o Nassif e o Paulo Henrique Amorim, levando sempre em conta que são contra a Veja e a Globo. Ai posso tirar as minhas conclusoes principalmente levando em conta meus ideias e minha ética. Se estou certo? Sim, pois acredito no que eu digo.. se as pessoas vão acreditar no que eu falo? Opinião de cada um.


Não satisfeito com o comentário, respondo:
Como eu disse, não concordo com atitudes que visem tirar vidas de inocentes, porém existe uma justificativa para isto, repare novamente: A Associação dos Direitos Civis em Israel protestou contra a decisão judicial, alegando que ela é discriminatória e viola a legislação internacional. De nada adiantaram os protestos. Eles tentaram se fazer ouvir, mas viraram as costas para eles... Você tem noção de como isto é revoltante? Imagine a seguinte situação, que é real, e acontece com frequência na faixa de Gaza (território palestino): te proibem de trabalhar! Você não pode mais trabalhar e nem pode sair de seu país! Imagine que isto aconteça contigo, você tem dois filhos pequenos. Sua esposa e o mais novo morreram de subnutrição. O único que resta está para morrer. Você protestou. A rede de TV foi até o local e registrou tudo - alimentou sua esperança, afinal o mundo inteiro irá ver a sua história. Passa-se mais um tempo e nada acontece. Morre mais um filho. Puxa vida, todo mundo está sabendo e ninguém faz nada. O que você irá fazer? Simplesmente aguardar a morte? Provavelmente você irá perder a sua sanidade antes de tomar consciência. Você continuará sendo humilhado? Não mais! Você irá reagir e a reação extrema é justificável, afinal é a sua vida e a vida dos seus filhos que está em jogo! Quem têm filhos sabe que se algum deles precisar de um coração, você doa o seu. Você não liga se irá morrer ou não...! Então, se justifica sim. O que eu não concordo é que inocentes tenham que morrer. Isto eu também condeno. E é isto que eu queria dizer.

Observe que mesmo uma atitude considerada extremamente insana, como o Massacre de Columbine, tem que ser revista com outro olhar para não ser termos uma opinião injusta acerca do tema: Veja o filme 'KLASS' - que refaz o Massacre de Columbine focando os dois assassinos e entenda melhor o que eu digo.

Lembre-se que vivemos a sociedade do consumo, logo somos seduzidos pela aparência e jogados no hiper-realismo.

Agora, uma atitude pacífica não muda nada (Os EUA que o digam). É exatamente isto que eles querem 'Seres humanos domesticados e dóceis' que não reajam. Mas isto não quer dizer que uma atitude não pacífica seja necessariamente 'matar', mas sim bater de frente. Não aceitar acordos que não representem os interesses da maioria. E, se for o caso, você deve brigar com a faca entre os dentes sim.

Quanto a Veja, ela não respeita o principio da ética do jornalismo. É por isto que ela recebe tiros de todos os lados. Indiscutivelmente, ela manipula informações, logo, também opiniões. Ou seja, é uma revista perigosa... Você precisa de grau de discernimento muito elevado, assim como espírito totalmente crítico, para ler a Veja, senão toma tudo como verdade. E, já que é para ler uma mentira, para que, então, perder tempo?


Se o amigo leitor perceber bem, repare que há uma confusão na resposta que o meu colega me deu em relação ao conteúdo que eu compartilhei, provavelmente isto se deve à alguns conceitos pré-estabelecidos e pré-formados em relação à determinados assuntos que impossibilitam uma total compreensão de algo simples. No fim, ele acabar por confundir diferentes realidades e se pronunciar de uma maneira estranha e não muito coerente.

Primeira coisa a ser analisada, para mim a mais grave: a aproximação de um problema de um proveniente fato social( neste caso, o conflito Palestina x Israel) com a de outro fato social (quando ele diz sobre sua indignação de não ter uma rua asfalto, canalizando a sua raiva no prefeito da cidade de São Paulo, e sobre uma pessoa que lhe processou aparentemente de forma injusta). Vejam que os problemas são de origens diferentes, pertecem à locais diferentes e temáticas totalmente distintas, logo não pertecem ao mesmo universo de coisas, portanto são incompatíveis.

Esta confusão é criada, principalmente, porque a máquina cria uma realidade que mascara o que há por debaixo. A máquina condiciona ao dizer que sentimentos são sentimentos e ponto. Ou seja, há uma tentativa de racionalizar as emoções neste processo de mecanização do homem e fabricação do humandróide. Porém o sentimento de injustiça e indignação de um palestino, que tem que fazer mágica para sobreviver nas condições atuais na faixa de Gaza, é diferente do sentimento de injustiça e indignação de uma pessoa que não tem a rua de sua casa asfaltada. Logo, as reações também devem ser diferentes. Obviamente não devemos "matar" o prefeito nestas condições. Mas também está claro que não devemos simplesmente ignorar os fatos que levam uma pessoa a cometer atos de terrorismos, que geralmente tem uma razão de ser, ainda que eu não concorde, sob nenhuma hipótese, que um inocente deva morrer nestas atitudes.

O objetivo do primeiro trecho era apenas demonstrar que os palestinos foram provocados e injustiçados, e que isto provavelmente é motivo para um combate, um enfrentamento, visto que apenas levantar os cartazes não surtiram efeito, e os orgãos de defesa internacional têm sido omissos. Ou seja, não resta mais nenhuma alternativa. Logo eles ficarão sufocados e não mais suportarão esta situação, e, caso aconteça algum ato de terrorismo, a culpa será totalmente nossa, visto que não ouvimos o que eles tinham a dizer, e simplesmente viramos as costas à este golpe desumano que eles sofreram. Não cabe dizer que a raiva deles não justificam medida extremas, uma vez que a situação exige medidas extremas, e compará-la com coisas tão distantes quanto esta.

Quanto ao segundo trecho, creio que não preciso de mais nenhum comentário. Apesar de dizer que não acreditar em tudo que a revista publica, no fundo deve acreditar, pois como continuar a leitura de uma revista que não tem compromisso com a verdade? O material deve ser lido justamente por aqueles que tem competencia suficiente para contestar os artigos, senão a maioria acabará sendo seduzida pela espécie de jornalismo que eles praticam, quase sempre sensacionalista. E mesmo que existam bons colunistas, como fica a ética e a moral de um jornalista que se propõe a escrever para uma revista que não se importa com a veridicidade de seu conteúdo? É a máquina falando: "enriqueça e engane os outros".

Ruptura ou Evolução? Tendências e visões

domingo, 23 de março de 2008

Recentemente saiu na mídia a notícia que há tempos estávamos aguardando: chegou o carro que voa! E já não era sem tempo afinal a situação caótica do tráfego de veículos exigia soluções alternativas ao próprio trânsito terrestre.

Não irei entrar em questões referentes à benefícios, regulamentação do espaço aéreo, e afins. O que pretendo discorrer é somente algo sobre a qual o meu amigo Eduardo Patriota comentou no post "Simplesmente Vulgar" e a extensão deste comentário que ele publicou em seu próprio Blog.

Estaríamos em um processo de evolução ou ruptura? Será que todos estes acontecimentos, como liberdade sexual, assassinatos sem justificativas convincentes, enfim, esta libertação animal não seria parte do processo natural de evolução? Ou ainda, será que as coisas nem mudaram tanto assim, apenas alteramos o pano de fundo e descobrimos como arrebentar as correntes que nos prendiam dentro de nós?

E esta coisa que em toda a história as pessoas afirmam que "quando eram mais jovens, viviam em melhores tempos", não cairia na chamada "Regressão Infinita de Justificativas"? Será que isto indica que o mundo está piorando ano após ano, desde que temos conhecimento de sua existência, ou seria uma característica humana reclamar sempre do seu atual estado?

E o que o carro que voa tem a ver com tudo isto?

Para começar esta discussão é válido afirmar que todas as partes estão certas e erradas simultaneamente. Certas coisas evoluem, certas coisas continuam a mesma e certas coisas pioram a medida que o tempo passa, e muitas destas coisas incorporam todas estas características de uma só vez. Por exemplo, a internet: é inegável os benefícios trazidos por ela, afinal este blog não atingiria tantas pessoas se ela não existisse. É possível que estas idéias morressem comigo. Além disto a internet permite uma comunicação global e acesso a uma vasta documentação disponível no mundo inteiro. Entretanto, também há grandes malefícios: as pessoas estão cada vez mais sozinhas, egoístas e vivem cada vez mais individualmente, isto porque muitas preferem viver uma vida cibernética: lá eles são conhecidos e se fazem ouvir. Só que uma pessoa egoísta geralmente pensa somente nela mesma e ignora os problemas do mundo externo. Os homens também se tornam mais preguiçosos, mais conformados e, devido ao excesso de informações para se conhecer, tem menos tempo para se socializar.

Enfim, não há dúvidas que o homem tecnologicamente evolui, porém, sua participação social e coletiva no mundo cai significativamente. E eu, assim como você, somos produtos de nossa sociedade. Também consumimos. Também somos controlados pela máquina. Somente por sermos brasileiros, sofremos todos os abusos de nosso sistema tributário e escandalos de corrupção no governo. Dependendo da sorte do berço a qual você nasceu, e conseguindo visualizar o mundo da mesma forma que eu vejo, só resta lamentar, assim como eu faço, e vivenciar este sistema, afinal, eu não vejo como não trabalhar, assim como não vejo como produzir somente coisas para mim. Por isto que eu me considero um pessimista, pois muitas vezes não vejo saída por nossas próprias mãos. O que faço, talvez, seja aguardar por uma espécie de herói que tenha condições, ideologia e recursos suficientes para mudar tudo isto.

O fato é que estes não são bons tempos. Se o passado era melhor ou pior será difícil dizer, mas acredito que estávamos realmente evoluindo até que, há cerca de 20 ou 30 anos aproximadamente, entramos em ruptura. Estacionamos de vez. Este negócio de liberação de nosso espírito animal, como a liberdade sexual, não considero como evolução, mas como inversão de valores, afinal reconhecer os limites e ter auto-controle também são virtudes, porém não são mais aceitas nesta nossa sociedade. E nós nem somos tão livres assim, pois estamos condicionados a diversas situações que não podemos simplesmente abandonar. Por exemplo, trabalhar é condição da vida, se você não trabalhar, seja plantando terra ou dentro de uma empresa, irá morrer. E isto é injusto, sendo assim não somos totalmente livres.

Mas, talvez, o processo de comparar o presente com o passado pode ser igualmente injusto. Vamos tentar fazer diferente e observar como as pessoas do passado imaginavam o nosso presente. Todas as visões são apocalípticas e anunciam uma espécie de fim dos tempos.

Na literatura podemos pegar o "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, a ficção de Philip K. Dick ou do escritor Isaac Asimov. Também tem o "1984" de George Orwell. No cinema, temos o clássico "Metrópolis", "Tempos Modernos" de Charles Chaplin e "Vanilla Sky". Também tem o desenho japônes "Akira" e recentemente um outro muito profético chamado "Ergo Proxy". Todos imaginavam a nossa época de uma forma muito pessimista, onde a tecnologia controlaria o homem e cada vez menos teríamos tempo para viver. Nestas obras somos seduzidos por uma aparência de evolução: grandes edifícios, carros que voam (!!!), telefones móveis (!!!), grandes centros de compras (shopping centers?) e trabalham muito. As pessoas, geralmente, vivem sozinhas, não têm (quando tem) muitos amigos, etc. Somos vigiados constantemente ("BIG BROTHER IS WATCHING YOU"), somos induzidos a pensar igual a todo mundo. Percebemos claramente um processo de mecanização do mundo.

Eles acertaram em muitas coisas, não é mesmo? Então vale a pena prestar atenção nestas profecias. Quase sempre a coisa não acaba muito bem. Sempre surge um visionário que percebe as situações sendo controladas e as pessoas prisioneiras de um sistema que inibe e padronize os pensamentos. E, a população em geral, não percebe que alguma coisa está errada em nenhum momento.

Quando eu comparo o nosso presente com estas obras, sinto calafros na pele. Confesso que tenho medo e não consigo deixar de pensar que estas coisas não fazem parte do nosso processo natural de evolução (talvez somente o processo artificial de evolução).

Acredito para nos conhecermos de verdade, precisamos de alguém que nos livre desta prisão a qual vivemos. Somente assim a vida será possível. Então só conhecemos aquilo que querem nos faze acreditar como verdade. Um mundo de simulações e uma segunda pele sobre a realidade. Hiper-realidade. Podemos dizer que somos como "The Sims" e não conhecemos os jogadores.

Então, você já fez a reserva do seu automóvel voador?

"Pai, olha lá o cavalo"

sexta-feira, 21 de março de 2008

Diferente dos outros posts, este deverá ser menor. O objetivo é apenas lhe colocar em estado de transe. Te levar para um estado de profunda reflexão, assim como eu fiquei após ouvir o que descreverei abaixo.

O relato é do professor Wesley, que ministra a disciplina Filosofia da Educação no curso de licenciatura em Filosofia pela Universidade Metodista de São Paulo.

"Tenho uma filha de três anos de idade. Estava eu escrevendo um artigo quando milha filha, que olhava pela janela de meu apartamento, me chamou entusiasmada:
- Pai, vem aqui! Vem rápido!
- O que foi, filha? - disse quando me aproximei.
- Olha lá o cavalo!
- Onde? - questionei sem ver animal algum.
- Ali pai! - ela apontou
- Onde, filha? O papai não está vendo nada.
- Ali, você é cego? - dizia ela irritada.
Depois de algum tempo tentando entender o que ela queria me mostrar, finalmente pude enxergar: na rua, havia uma pessoa puxando um carrinho de sucatas e papelão. Ali estava o cavalo."

Embora a forma seja diferente a atitude era a mesma: houve um tempo em que realmente era um cavalo que fazia este serviço de puxar um carrinho contendo objetos. Mas, nestes tempo, pessoas assumiram o lugar do animal de tal forma, que uma inocente criança, sem o menor vestígio de maldade, associou a imagem de um homem com a de um cavalo.

Onde será que chegamos? Para onde estamos caminhando?

Chega de escrever, pois irá começar mais uma edição do Big Brother Brasil e você não irá querer perder tempo pensando em toda esta baboseira, não é mesmo?

Simplesmente Vulgar

"O pensamento é o discurso silencioso da alma" - Platão, Sofistas.

Observamos tranqüilamente a metamorfose de nosso habitat em uma arena de gladiadores. Porém esta sensação adquirida de tranquilidade é mais um feitiço realizado pela máquina, pois não está ocorrendo uma transformação (conforme diz o mundo das aparências), pois a coisa já é de fato.

Tínhamos um mundo. Vivíamos em harmonia neste mundo. Nem tudo era um mar de flores, porém as pessoas eram mais educadas, havia uma certa moral e um código a ser seguido - mesmo nas pessoas que faziam o mal. A concorrência não era tão desleal, tinha espaço para todo mundo. Os comerciantes podiam ser concorrentes, porém todos sobreviviam: se um tinha o melhor preço, o outro tinha o melhor atendimento, e assim se equilibrava a balança. A proximidade entre as pessoas gerava uma clientela fiel.

Hoje em dia a máquina destruiu o comércio de bairro. As grandes empresas engolem as pequenas, não fica nada para contar, nem mesmo lembranças. As grandes empresas preferem operar no prejuizo apenas para derrubar os concorrentes de menor porte. E conseguem, afinal é um golpe muito baixo e desleal. Quem poderia resistir?

A humanidade também acompanha o ritmo estabelecido pela batuta da máquina: pai mata filho, filha mata mãe, mãe mata filho, filho mata o pai. Filhos matam filhos (reparem que avós não matam filhos nem netos - o que será que ficou perdido lá atrás?). Quando tinha 12 anos (ou seja, apenas há 14 anos) não fazia a mínima idéia de como funcionava o processo de cópula: onde será que o quê entrava em não sei aonde? Embora a professora ensinasse que o processo de gravidez se dava do encontro do espermatozóide do homem - originário do pênis - com o óvulo no útero da mulher. Onde diabo ficava este útero? E como será que o sexo do homem cria estes espermatozóides? Será que para ter um filho o homem deveria urinar em cima da mulher? Ou seja em 1992, ainda havia uma certa inocência no ar para aquela juventude. Um sentimento que deixava os nossos pais mais trânqüilos. Mas ali as coisas já estavam se transformando para o que hoje de fato é: meninas de 12 anos estão grávidas! Meninos de 12 anos são pais! Quando será que eles iniciaram sua vida sexual? Com 10 anos? Com 9 anos? Piedade!

Viraram o mundo do avesso ou será que eu vim de Marte? Por quê vejo estas coisas e fico perturbado, quando todos estão indiferentes aos fatos? Estaria realmente tudo bem? Será que estou exagerando? Me digam como viver com estas questões em minha mente?

Uma hora eu ainda faço uma genealogia de 1900 até os dias de hoje sobre a moral, antes disto vale a pena procurar Friedrich Wilhelm Nietzche para entender que o ser humano é um animal sentimental e este negócio de racionalidade é coisa da máquina. Com esta frieza racional que adquirimos após a modernidade e, mais assintuosa ainda, após a revolução da informação, conseguimos gargalhar, contar piadas, tomar uma cerveja e ficar de namorico mesmo quando a tua vizinha é estuprada pelo próprio pai ou sabendo que o filho de teu amigo morreu assassinado na escola por um coleguinha de sala: os dois tinham 12 anos, o problema é que um torcia para o Corinthians e o outro para o São Paulo... O problema é que um andava armado e o outro não esperava morrer.

E eis aí os humandróides. As lágrimas da humanidade secaram e as tragédias já fazem parte da normalidade e do cotidiano. Observe bem está sentença: A tragédia já é parte de nosso dia-a-dia. A pergunta que fica é: como podemos sorrir diante disto?

Vai começar mais um capítulo decisivo do Big Brother! Corram para suas televisões e deixam estas idéias aqui, no cemitério das reflexões, afinal você tem o direito de escolher entre o pensamento (ou a tristeza) e quem vai para o paredão (ou o sorriso*)!

E assim a tua psiquê poderá me dizer que não teve tempo para ler esta mensagem, e teu consciente te isentará de culpa. Seguindo o príncipio de negação, não há com que se preocupar, tudo está bem, afinal quem saiu do BBB foi o João e não a Maria. Quanto tempo irá demorar até você conseguir pegar no sono, graças a dose de adrenalina que o "jogo da vida" injetou em você? E amanhã você irá discutir calorosamente com os seus colegas sobre o Big Brother, mas quando eu lhe perguntar sobre o que você achou deste post você ficará em silêncio e que o texto era muito longo e não tinha tempo sobrando para ler. Neste instante irá me achar inconveniente e ao ver que eu não compartilho de teu assunto irá se irritar comigo.

* Se você pensou que eu iria dizer "ou a felicidade" saiba que em nossa era não é possível dizer o que é felicidade. A única coisa que é possível definir, ou seja, por fim, é a simulação ou sua realidade de felicidade. A hiper-realidade produz tantas realidades diferentes que não mais compartilhamos os sentimentos de nossos amigos, as únicas verdades são as nossas verdades. Apenas o que enxergamos é real.

Senhoras e senhores, vistam tuas armaduras e perfurem os teus entes! Sejam bem-vindo à arena!

Luis Nassif X Revista Veja

quinta-feira, 20 de março de 2008

"Hoje, nenhuma pessoa com um nível de conhecimento médio, com uma opinião um pouquinho mais sofisticada, acredita na Veja" - Luis Nassif

Esta frase foi retirada da entrevista realizada pela revista Caros Amigos, edição número 132, que já está nas bancas. Na capa está Luis Nassif, que de certa maneira, é um herói a ser reconhecido em sua luta contra a poderosa, influente, mesquinha, incompetente, e temida revista Veja, responsável pela circulação de um milhão de exemplares por semana e pelas maiores atrocidades cometidas contra o jornalismo.

O que Nassif faz é encarar de frente a revista e os seus bastidores, responsáveis por distorcer diversas matérias e condicionar a opinião de seus leitores. Ele faz um trabalho de desmascaramento e repúdia à maldade que paira na intenção de seus colunistas e blogueiros à serviço da revista.

Percebe-se claramente a paixão devotada de Luis Nassif pelo jornalismo ético e correto. Esta batalha é justamente para desfazer os nós e confusões geradas no grande público por parte das grandes mentiras que são públicadas.

Entendo que Nassif, assim como eu, só que em um nível ainda maior, também é guerreiro desta luta contra a hiper-realidade, onde vemos diversas realidades sendo criadas com o único objetivo de controlar o pensamento e a opinião geral. Tomar parte de um lado. São realidades simuladas, verdades simuladas, você pode escolher entre viver uma mentira ou viver a realidade. O que há de real é único, principalmente no jornalismo, onde não há espaço para múltiplas realidades acerca de uma mesma notícia.

Nassif combate a sedução e a histeria criada por artigos que visam o sensacionalismo e a alienação dos leitores, e que não permitem uma formação de opinião. É por estes e outros motivos que, a partir de hoje, o blog de Luis Nassif ganha um link permanente em minha casa virtual.

Para saber mais, acompanhe a série que o Nassif está escrevendo contra a revista Veja em seu blog oficial. Também comprem a revista Caros Amigos, talvez a ultima a dar importância ao jornalismo livre, que não mede palavras e que não tem medo de públicar o que os seus colunistas pensam.

Decidi ser eu mesmo

quinta-feira, 13 de março de 2008

Recentemente, uma pessoa que trabalha comigo viu uma série de livros em minha mesa e perguntou: "Você não se cansa disto? Tem tanta coisa para fazer, vá viver a vida!". Na hora nem prestei muita atenção, porém após algum tempo eu cheguei a me sentir ofendido, e, momentos depois, voltei atrás e pensei que talvez esta pessoa pudesse ter razão.

Afinal, para quê serve ser inteligente? Este questionamento parece um absurdo a primeira vista, e chega me lembrar até uma parte de "A Hora da Estrela" de Clarice Lispector, onde uma mulher pergunta para a protagonista: "Você é feliz?" e, ingenuamente, ela responde: "Para que serve ser feliz?".

Não distribuem medalhas para aqueles que tem um conhecimento a mais em relação ao normal. Ao contrário, muitas as vezes esta busca incessante pelo conhecimento trás muitas dores, conflitos e confusões.

O mundo, tal como ele é, não dá valores para questões morais, éticas, debates políticos, discussões sobre o sentido do verdadeiro e do real. A única coisa que realmente importa é o status e a aparência física. Pouco importa se você é casado, se têm cinco filhos e problemas de depedência química. Desde que tenha boa aparência e um bom carro, as portas se abrirão para você.

As mulheres estão à procura de homens musculosos e imbecis, os homens buscam mulheres com um corpo bonito e imbecis. Pessoas inteligentes, mesmo que bonitas, são descartadas porque a inteligência é vista como uma deficiência cerebral - meninos e meninas inteligentes só servem como amigos que devemos explorar quando possível.

Não preciso nem dizer quão absurdo parece este cena! Sinceramente eu não consigo entender. Será que eu deveria abandonar as minhas idéias e aquilo que eu acredito para cutuar o meu físico e apagar parte de meu cérebro para engressar na sociedade?

Não! Resistirei à sedução do mundo, combaterei a máquina e me manterei em minha caverna, isolado e condenado à eterna condição de anormal, de estranho e de louco. E bananas para você que me diz "Largue estas coisas e vá viver a vida"! Eu prefiro viver uma vida autêntica do que viver uma mentira! Eu vivo uma única realidade! Fique você sozinho com a sua hiper-realidade e viva sem se conhecer!

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Composição: Arnaldo Baptista / Rita Lee

Figuração x Fatos

Este post dá prosseguimento ao estudo e análise realizada por mim do livro Tractatus Logico-Philosophicus da autoria do filósofo Ludwig Wittgenstein. Caso deseje visualizar os outros textos que escrevi a respeito, clique aqui.

No post anterior, arranhei a superficie ao tratar da filosofia analítica de Wittgenstein, apresentando algumas motivações a respeito da sua única obra públicada em vida, o Tractatus. O projeto de Wittgenstein é traçar os limites da linguagem e daquilo que é possível pensar, acusando os graves erros de nossa língua ordinária e propor uma nova lógica na linguagem.

Wittgenstein se interessa por saber como a linguagem se relacionada com o mundo. Para ele há um abismo entre estes dois universos, ainda que admita este relação, e nesta análise ele conclui que a forma que este relacionamento se dá é através de uma figuração dos fatos. Para ele há uma lógica presente por trás de nossa linguagem e que a gramática superficial mascara.

Para acompanharmos este raciocinio, que diz que a linguagem é a figuração de fatos, basta pegar, como exemplo, um objeto qualquer. Nesta caso, vamos imaginar uma caneta. Para Wittgenstein um objeto não pode ser pensado isoladamente. O que pode ser pensado são as suas relações com os outros objetos - estas relações são aquilo que o filósofo denomina fatos, seja através de uma forma lógica e/ou espacial. O objeto caneta é um objeto complexo composto por objetos simples (como a tampa, o tubo, a tinta azul, o refil). Quando pensamos na caneta, pensamos na relação entre estes objetos simples. A caneta, isoladamente, não é possível pensar. Veja que estamos figurando esta imagem, e para testar esta figuração, testamos com a realidade. Para Wittgenstein, toda figuração se dá de forma lógica.

No próximo post publicarei um exercício para elucidar o conceito de objetos simples e compostos, além de figuração e fatos.

Wittgenstein - Primeiras Impressões

domingo, 9 de março de 2008

Nesta semana iniciei os meus estudos sobre o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein através da disciplina "Seminários de Lógica" ministrada pelo Professor Marcelo Carvalho e, sentindo um enorme interesse por sua filosofia, pretendo discutir algumas coisas em relação a mesma.

Para isto inicio, neste momento, algumas reflexões livres a cerca de Wittgenstein com base no conteúdo que irei adquirindo ao longo dos próximos seis meses. É provável que a minha opinião seja mutável durante os textos que irei publicar, visto que ainda não me debrucei integralmente sobre os textos de Wittgenstein para adquirir maturidade o suficiente para tornar minhas idéias maduras e sólidas.

Como base tenho as aulas ministradas pelo Professor Marcelo, que é especialista em Wittgenstein além de ter um doutorado neste campo, o livro "Wittgenstein" da autoria do frânces "François Schmitz" (Coleção Figuras do Saber, editora Estação Liberdade) e do livro "Tractatus Logico-Philosophicus" do próprio Ludwig Wittgenstein (edição bilingue alemão-português, introdução de Bertrand Russel, editora Edusp), que é a obra que me interessa e que representa aquele que é conhecido como Wittgenstein I, visto que posteriormente ele escreveu textos que parecem ser refuções do próprio Tractatus, e nesta fase ele é conhecido como Wittgenstein II.

Wittgenstein teve uma vida curiosa e interessante, tanto que já escreveram romances envolvendo seu personagem e até mesmo peças de teatro. Vale saber que ele era herdeiro de uma das maiores fortunas da Austria e abriu mão de tudo - esta atitude, ao meu ver, se deu porque ele gostaria de construir o seu nome por si mesmo. Três de seus irmãos se suicidaram. Estudou engenharia, trabalhou como jardineiro, porteiro, foi para o exército, enfim, e viveu os ultimos anos em casa de amigos, sem ter, ao menos, uma residência fixa. Pensador perturbado e homossexual, morreu de câncer na próstata aos 62 anos de idade, no dia 29 de Abril de 1951.

Vale a pena dar uma conferida em sua vida, porém, como este não é o foco de minha discussão, neste momento não falarei mais do que isto. Talvez, a única coisa que vale a pena ser dita, é que ele foi aluno de Bertrand Russel, e depois teve uma relação estreita com o seu mentor, e que influenciou o chamado "Círculo de Viena". Também era contra a vida acadêmica e nem mesmo tinha certeza se gostaria de ser filósofo ou engenheiro.

O problema colocado por Wittgenstein é do campo da filosofia da linguagem e da lógica. Ele propõe que entre a linguagem que utilizamos e o mundo a qual vivemos existe algo que se relaciona entre estes dois extremos e que nos permite saber como a proposições podem ter sentido, ou seja, como podemos saber o que é verdadeiro e o que é falso.

Wittgenstein se inicia nesta empreitada justamente porque a gramática que aprendemos na escola é defeituosa e que nos permite construir coisas que parecem ter um sentido, mas não tem. Basicamente ele diz que todos os problemas filosóficos são colocados devido a uma má interpretação da lógica de nossa linguagem, e é isto que traz embaraço para a filosofia, pois há coisas que podem ser ditas claramente, porém há outras que não podemos falar. Enfim, Wittgenstein diz que o nosso pensamento é limitado e há coisas que não há como serem ditas, porém, por um má emprego da gramática a qual aprendemos, chegamos a entender que certas proposições são possíveis. Porém, as respostas excedem os limites do dizível.

É aí que ele levanta o seguinte ponto: deve haver alguma coisa que ligue a linguagem que utilizamos ao nosso mundo, e é preciso investigar isto mais de perto para resolvermos todos os problemas de origem filosófica.

Ele irá chegar que aquilo que há de comum entre a linguagem e o mundo é algo chamado por ele de "forma lógica", porém isto ficará para um próximo post, onde falarei mais sobre isto, além de exemplificar alguns problemas relacionados ao emprego da linguagem em questões metafísicas.

É Dia de Feira!

Hoje é dia de feira! Todas as vezes que eu preciso ir até a feira sinto um frênesi percorrendo no intímo de meu ser. Vocês já conseguiram sentir a magia que vaga livremente pelos arredores deste local? Quanta beleza há entre as barracas dos feirantes! Perceba quantas lições podem ser retiradas através do gingado entre consumidores e vendedores.

Logo na entrada encontramos de imediato as barracas de pastéis, de caldo-de-cana e água de côco. E não adianta tentar imitar, pastel de feira só na feira, e ponto!

Mais para frente estão os vendedores de bugigangas. Todos os consumidores percorrem a feira com sacolas de nylon - eita gente educada - e eu também quero estar na moda!

Então me aproximo de uma destas barracas e pergunto: "Quanto custa esta sacola?" e logo ele me responde "R$ 1,50 pra levar!". Pego dez sacolas pensando em deixar cinco no carro e cinco em casa.

Quando saio da parte das bugigangas e entro nas barracas de frutas surge um moço andando entre a multidão e anunciando: "Olha a Sacola de Nylon, R$ 1,00!". Pronto! Minha primeira compra e já me dei mal, isto que dá não saber negociar.

Nas barracas de frutas, eu experimento de tudo. As frutas são belas, bem cuidadas, e o preço é muito bom, comparando com os grandes supermercados e sacolões. Quando tenho alguma dúvida, pergunto para o vendedor: "Esta banana está boa para o consumo?" ele me responde "Só para terça-feira! Para consumir agora tem que ser esta aqui!" questiono "Mas não estraga logo não?" e, como um excelente profissional, ele diz "Se deixar embrulhada no jornal dura até quinta-feira!". Vá perguntar estas coisas no supermercado! A primeira coisa que lemos é: "Por favor, não deguste as frutas". Podia jurar que uma vez eu li "Por favor, não toque nas frutas". Quanto absurdo!

No fundo da feira, se encontra os feirantes de verduras. Existe um preço padrão descrito num papelão preso com prendedor em cima de um varal de roupas extendido sobre as verduras, porém tudo pode ser negociado na hora: "Quanto está este saco de legumes sortidos?" "É dois por R$ 5,00, meu jovem" "Pago três por R$ 4,00" "R$ 4,50 e já pode colocar na sacola." "Fechado!"

Enfim, o tratamento que você recebe na feira, a variedade, a qualidade dos produtos, o preço e a aproximidade que se dá com o ser humano, tão distante e tão vazia nos grandes centros, fazem da feira um espetáculo que não devemos deixar morrer.
Ir a feira também é combater a máquina. É equilibrar a balança e fazer justiça. Enquanto a maioria, principalmente os casais mais jovens, continuam comprando frutas e verduras em grandes mercados e enriquecendo ainda mais uma parcela específica da sociedade, os feirantes são pessoas como eu e você e que necessitam dos rendimentos da feira para poder sobreviver.

Não deixe de ir a feira! Além de consumir produtos de primeira qualidade, você estará contribuindo com o desemprego, além de se divertir bastante!

Crônicas Poéticas e Amores não Declarados: Parte 4 de 4

sábado, 8 de março de 2008

Introdução
1º Carta - 00:12h
2º Carta - 00:42h
3º Carta - 01:31h

30 de Maio de 2001, 18:27h

De tantas pessoas - e quantas! - há apenas uma que se destaca em meio à escuridão, é esta que ilumina os becos da cidade e que inspira um raio de luz a clarear o quarto por uma fresta. E aqui ultrapassam os dez milhões, que são os corações de São Paulo, e assim ainda é pouco se de tantos eu só vejo você. E nestes outdoors que infestam as ruas, eu só enxergo o teu nome, e de tantas trevas que circulam ao redor, ainda há espaço para sorrir e se alegrar enquanto vejo a tua imagem, ainda esprime o odor das flores nestes ares insípidos enquanto tu ainda existir para mim. E eu que não podia não ver nada mais belo, vejo cá este Estado como a suprema beleza, quando os prédios e as paredes estão pintadas com as tuas cores. E eu que até então era um cego, já sou digno de enxergar o teu corpo. E eu que até então tinha medo do escuro. já não mais o tenho, pois nestas noites minhas, você sempre aparece para guardar o meu sono, e caminha em meu sonho o dia que cairás em meu braço para todo o infinito, sendo este dia de comemorar o momento de libertar nosso mundo das dores. E quando assim for, só se verão lágrimas de emoção, de paixão, não mais de solidão, pois destas águas paulistas já não beberei, mas sim da fonte do amor que se encontra em São Paulo, tão ao meu lado, tão distante, que assim vejo te, mas assim não a sinto, pois verás o dia que o quadro mudará, para que viva o nosso mundo a sonhada utopia dos corações.

Papo Verde - Conscientização

sexta-feira, 7 de março de 2008

O texto abaixo se refere à uma troca de e-mails com um amigo que comprou a causa por um mundo melhor, e, assim como eu, está na batalha por um mundo sem sacolinhas plásticas.

06/03/2008 - 09:11h

Não sei se você sabe, mas eu contribuo, já há algum tempo, com alguns dos projetos desenvolvidos pela S.O.S Mata Atlântica. Ontem recebi um edital que dava conta de um projeto em parceria com o grupo Pão de Açucar, que visa promover o uso de sacolas retornáveis. Coincidentemente, hoje pela manhã ouvi uma entrevista da gerente de sustentabilidade do grupo, dada à rádio CBN.

Segundo ela, as sacolas estão à venda por R$ 3,99 e são estampadas com imagens de animais ameaçados de extinção (como o lobo-guará e o mico-leão dourado). Dá pra comprar pelo site também, mas lá o preço é mais caro que o sugerido pela entrevistada. Veja só. Faz uns dias que não entro num Pão de Açucar, então confesso que ainda não vi a tal sacola.

O interessante é que, desde meados do ano passado, venho acompanhando diversas discussões (principalmente no Orkut e Yahoo! Respostas) sobre sustentabilidade. Muitas pessoas já falavam sobre o uso de sacolas retornáveis, mas ainda não tinha notado uma movimentação tão grande como a que vejo hoje. Principalmente por parte das empresas que "obrigam" o consumo desse tipo de material.

Talvez por isso, no final do ano passado houve um grande alarde por parte dos fabricantes (com notas em jornais e tudo mais) sobre a eficácia e importância do plástico no nosso dia-a-dia. Lembro-me até que eles se propuseram a (sic!) melhorar a qualidade do plástico fabricado, tornando-o mais resistente. Como prêmio, poderiam estimular ainda mais o uso de sacolas de plástico.

Enfim, você acha que tudo isso pode ter um fim sem que um decreto de lei proiba de vez o uso de sacolas de plástico em supermercados? Se sim, não acha que seria interessante criar um movimento para que pessoas comuns (como você e eu) entrem em contato com os políticos que receberam nossos votos de confiança? Eu acho uma idéia válida, já que a conscientização do povo está a caminho.

Fernando Botelho de Almeida


06/03/2008 11:30h

Muito bom!

Enfim, não sabia sobre sua participação no SOS Mata Atlântica. Mas vamos direto ao assunto.

Fato: o Pão-de-Açucar está perto de se tornar a rede de supermercados ecologicamente correta e não é somente por vender sacolas retornáveis (algo que já acontece faz algum tempo), mas porque eles estão conscientizando seus consumidores da importância de ser ecologicamente correto. Não sei se você já viu, mas lá eles tem um negócio chamado "Caixa Verde". Lá, você passa as suas compras e, no próprio caixa, retira as embalagens e leva somente o produto. Ex. Se você comprar uma caixa de Sucrilhos, eles retiram a caixa de papelão e você leva somente o saco contendo os cereais. Este papelão vai direto para reciclagem!
Uma super idéia!

Creio que esta conscientização que vem acontecendo desde o final do ano passado se dá por alguns motivos:
1) nunca vimos enxentes tão bravas, em âmbito nacional, nos ultimos tempos. E isto se deve, principalmente, a enorme quantidade de lixo, sendo que a maioria esmagadora se dá através do plástico. As bocas de boeiro não conseguem resistir mais tanto lixo. Isto está tão claro que só não vê quem não quer;
2) usar sacolas retornáveis já é moda nos países mais desenvolvidos, sendo assim esta tendência chegaria aqui logo logo;
3) é moda ser ecologicamente correto (e a moda tem o efeito te atingir até mesmo aqueles que nem fazem questão de contribuir com o mundo).

O Pão-de-Açucar só não é perfeito justamente porque não aboliu de vez as sacolinhas de plástico, mas isto deve acontecer num futuro não muito distante, visto a visibilidade que eles estão adquirindo com estes projetos ecologicos.

O único problema é que as empresas enxergaram um mercado onde eles poderão ganhar muito dinheiro, e estão vendendo este tipo de material a um preço absurdo, com diversas estampas elaboradas. R$ 4,00 ainda é um preço caro. No site é ainda mais caro. No Wal-Mart elas estão disponíveis por R$ 29,00 !!! Nos postos Ipiranga, dentro do AM/PM, as mesmas tem o preço único de R$ 6,00. E todas estas resistem, no máximo, 20 quilos. Na feira, uma sacola de nylon que suporta 50 quilos custa R$ 1,00 (eu comprei 20 destas). Porém, infelizmente, acho que este é o preço que teremos que pagar para que a moda se expanda.

Quanto às tendências lançadas no mundo ecológico, a próxima que deverá chegar aqui em breve é o consumo de água direto da torneira. É praticamente consenso entre todos os ativistas que a água não deve ser comprada jamais. Além disto, ninguém consegue entender esta nossa escolha pela água mineral e a "torneiral". Antigamente, bastava um filtro para resolver todos os problemas de confiança em relação às impurezas da água. Quando tinhámos sede, costumávamos parar num bar e pedir um copo d'água, que vinha diretamente da torneira. Hoje compramos copinhos (para variar) de plástico, ou garrafinhas.

Pesquise a respeito, o negócio já está acontecendo na Europa. Em muitos restaurantes europeus, já é moda pedir um copo de água "torneiral".

Perceba que tanto a medida de conscientização das sacolas de plástico, quanto da água "torneiral" são atitudes que atinge grandes massas, possibilitando que todos contribuam. Além disto qualquer um, independente de classe social e racial, poderá estar na moda! A estratégia é perfeita!

Ainda que eu não seja aderente à muitas correntes ambientais, perceba que todas estas são atitudes para combater o hiperconsumismo. Assim que a sociedade do consumo for destruída, acredito que poderemos viver em paz e em harmonia, visto que seremos pessoas mais educadas, assim como eram nossos avós e, até mesmo, os nossos pais. Lembra que uma vez eu lhe disse que precisamos dar um passo para trás para recuperar a moral que nos foi perdida? Que em algum momento entramos em ruptura, deixamos de evoluir, e que agora precisamos andar para trás, corrigir nossas falhas, para continuarmos a evoluir? Era disto que eu estava falando... De recuperarmos valores a atitudes antigas... O que estes ambientalistas estão falando é simplesmente para retomarmos costumes antigos, pois o hiperconsumismo é responsável pela devastação do planeta, assim como da alma... É aí que entra a minha relação entre filosofia e ecologismo.

Quanto a este movimento ele é válido, porém tenho boas notícias! A prefeitura de São Paulo já tem um projeto superlegal, bem desenvolvido, porém com pouca participação da sociedade, chamado "Eu não sou de Plástico" (veja mais em http://ww2.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/meio_ambiente/naosoudeplastico/). Diversas empresas participam deste projeto - claro, com interesse em lucrar - e é uma iniciativa brilhante. O que precisa é de mais pessoas que acompanhem de perto este movimento e que cobrem atitudes mais explicitas, ou seja, sugiro que você entre em contato com estes caras e peça mais informações de como participar. O importante é que, em época de eleições, poderemos observar qual é o cuidado com que cada canditado considera a questão ambiental. Geralmente, os caras que dão mais importância são os mais politizados, pois não é neste ponto que eles ganharão as eleições, porém estes são os que estão com mais vontade de mudar o mundo.

Evandro Venancio

Crônicas Poéticas e Amores não Declarados: Parte 3 de 4

Introdução
1º Carta - 00:12h
2º Carta - 00:42h

30 de Maio de 2001, 01:31h

Não peça me, nem uma vez que seja, para esquecer-te, pois assim não foi o combinado, e se queres recisão do contrato, pagarás me com teus beijos o pagamento antecipado, pois só então descansará o meu leito em paz, e digo-lhe, uma vez mais, não esquecerei-te jamais, pois foi assim assinado e nestas linhas assim liam o amor para sempre, e que foi assim e que assim seja, pois amo tuas palavras, amo o teu carinho, amo a tua voz, amo a tua alma, e, assim, amo toda a sua essência, e já não me importa mais o corpo, porém revelo-lhe quanta sede tenho de seus lábios, e se nada nesta vida fosse tão árduo, com a tua vinda tudo se torna mais fácil, e nada seria tão mágico se não fosse tu, pois agora sou sábio, profeta, príncipe encantado e tantos outros que já não mais o sei. Sendo, então, não peça me, nem uma vez que seja, para esquecer-te, pois já sinto falta do teu agrado, deste espaço que reservamos só ficaram os buracos, esta ausência que floresce com a tua presença padece e já faz hora que o coração estremece sem que eu mesmo soubesse, e a ansiedade que prevalece, a alma adoece, pois sem que eu escute o chamado, segue-se o triste fado, e assim sendo não sou mais o mago, sereis então uma vez mais sapo, mas estes pensamentos afasto pois é por ti que desejo ser amado, um plebeu fascinado, é este homem apaixonado. Não peça-me, nem uma vez que seja, para esquecer-te, pois assim não foi o combinado. Amo-te, amo-te e amo-te, assim sai o grito bem alto para que todos saibam, e no teu ouvido amo-te, sai o baixo murmurio para que apenas tu saibas.

O Dia Em Que Eu Quase Me Trai

quinta-feira, 6 de março de 2008

Nesta minha batalha pessoal contra as sacolinhas de plástico muitas vezes é preciso saber improvisar.

Há cerca de 15 dias, fui até o supermercado realizar as compras necessárias para reabastecer o estoque de casa por cerca de 30 dias.

Quando fui abrir o porta-malas do carro para pegar as sacolas de nylon que eu sempre carrego comigo para estas ocasiões me deparei com o vázio absoluto! Sim, caros amigos, as sacolas não estavam lá!

Devido a uma falha no hipocampo, ou na amígdala, ou no córtex entorrinal ou giro para-hipocampal (e quem sabe até mesmo no neocórtex parietal e temporal), enfim, em alguma região responsável pela memória de curto prazo, acabei esquecendo as sacolas de que tanto me orgulho em casa.

Enfim, o que fazer? Será que iria quebrar a regra e utilizaria as malditas sacolinhas de plástico, afirmando ao meu consciente que esta seria a ultima vez?
Não poderia fazer isto. Meu cérebro é folgado e iria sempre me esquecer das sacolas de nylon, além de me seduzir com a mesma desculpa.

Então eu deveria retornar a minha casa? Seria uma alternativa, mas já perdi tanto tempo para chegar no supermercado e conseguir uma vaga. Enfim, precisava tomar uma atitude ecológica.

Selei um pacto provisório com as sacolinhas de plástico: utilizei as cuidadosamente para transportar as compras e, no dia seguinte, devolvi todas elas para o supermercado (ainda que o caixa tenha me achado um tanto esquisito, visto que tão estranha deve ser esta atitude perante os seus olhos)!

Pronto, minha consciência está limpa e não precisei deixar de comprar apenas para manter o meu compromisso em relação à natureza. E fica o meu conselho: quando, em ultima instância, você tiver a necessidade de utilizar a maldita sacolinha, não hesite, porém devolva!

O meio ambiente agradece! As pessoas que sofrem com as enxentes também!

O Que é Educação?

quarta-feira, 5 de março de 2008

Reflexão filosófica livre sobre o tema proposto.

Para desenvolver a resposta com demasiado cuidado temos a necessidade de aceitar duas premissas como ponto de partida:

- aprender é possível;

- ensinar é possível;

Entendendo que aprender é uma possibilidade que se dá na experiência, também é preciso dizer que a experiêcia acontece na forma de imitação e replicação de fatores externos, sejam estes relativos à moral e à ética (no caso comportamental e social) ou relativos à técnica (no caso de uma especialização em relação ao mundo. Por exemplo, ciência, filosofia, matemática, física, medicina, biologia entre outras).

O ensino ocorre através de um ponto referêncial detentor de um ou mais aprendizados. Este ponto referêncial pode ser uma pessoa (aquela que já aprendeu) seja em âmbito moral (Ex. Parentes, vizinhos e amigos) ou seja em âmbito técnico (Ex. Professores). Também pode ser um objeto (Ex. Livros e discos) e muitas vezes este ponto é a própria experiência pessoal (Ex. Filmes, quadros, acidentes, músicas e os próprios conflitos pessoais).

Sendo assim, educar é o caminho que o ensinar percorre em direção à aquele que vai aprender. Porém, a educação pressupõe um conjunto de normas pré-estabelecidas que atinja a sociedade em níveis semelhantes, assim como ocorre numa sala-de-aula. Professores e alunos seguem um mesmo padrão para educarem e serem educados, visando sempre o bem universal.

Também faz parte da educação você seguir este conjunto de normas para ser considerado alguém educado. Ou seja, a educação está presente na atitude e na conduta. Neste caso encontramos uma série de normas que pode variar dependendo da cultura a qual o educado pertence. Outras, porém, são universais: não comer pratos quentes com a mão; não andar pelado pela casa na presença de estranhos; não cuspir no chão; etc.

Perceba que a educação moral e ética está intrisicamente ligada com a restrição. O que não é restrito, é o que se pode fazer.

Existe uma armadilha nos confins da educação no que se refere aos padrões. Educar quase sempre é padronizar, e padronizar sempre é recebido por nós como uma atitude a ser incorporada, independente de aceitação.

Não obstante, quando não há interesses externos, leia-se sistema econômico, estes padrões podem ser bons justamente por ser um ponto-de-partida para nos incluir na sociedade. Há a possibilidade de sermos educados para o bem e para uma justa organização pessoal e social. Sem educação surge o caos.

No sistema vingente, somos educados tecnicamente com o intuito de termos uma profissão. Como o nosso sistema econômico é um grande jogo, para sobrevivermos precisamos ganhar dinheiro, e para isto escolhemos profissões que muitas vezes repudiamos, entretanto são profissões bem remuneradas. Mais uma vez a injustiça impera e somos infiltrados pelo sentimento de "não-pertence": eu não pertenço a esta faculdade; eu não pertenço a esta profissão; eu não pertenço a esta realidade; eu não pertenço a mim mesmo.

Enfim, ser educado, ainda que injustamente, é pré-requisito necessário para ingressar neste grande tabuleiro deste complexo sistema que compra as nossas idéias, o nosso corpo e o nosso tempo, utilizando como moeda os nuances e os vislumbres de uma possibilidade de vida bem sucedida e, socialmente, bem vista e o sonho de atingir o pico mais alto, não se sabe para quê, como uma corrida para saber quem chega em Marte primeiro, ainda que o preço a pagar seja muito caro ao ser.

Cadinna - Lojas Americanas

terça-feira, 4 de março de 2008

O Cadinna (sigla para CAdastro dos INimigos da NAtureza) é uma lista criada por mim para incluir as más experiências que eu tenho em relação à algumas empresas quanto ao mal uso do plástico.

Para iniciarmos a nossa lista (e espero que mais nenhum nome seja incluso tão cedo) contarei um episódio de total desrespeito à natureza por parte da empresa Lojas Americanas, sendo mais específico se trata de uma loja presente na R. Marechal Deodoro, em frente à Praça Lauro Gomes, no centro de São Bernardo do Campo.

Estava caminhando por aquelas bandas, quando decidi entrar nesta loja para comprar algo para beber. Me dirigi até o refrigerador e peguei uma lata de Ice Tea. Ao passar no caixa o atendente me questionou se eu iria tomar de imediato ou iria levar "para viagem". Respondi que abriria a lata tão logo efetuasse o pagamento. Sem falar nada, ele pegou a lata, cobrou o devido valor, registrou a venda, e colocou o Ice Tea dentro da sacolinha de plástico mais inútil que eu já vi na minha vida! Além do material sem vergonha, não tinha alça e o seu tamanho era suficiente apenas para cobrir a lata.

Logo tomei a atitude de dizer: "Obrigado porém, como lhe disse, irei tomar agora e não preciso deste saquinho." e o atendente friamente me disse "Lá fora o senhor tira, porém é preciso que a mercadoria esteja na sacolinha da empresa para voce poder sair da loja, senão os seguranças te barram". Repliquei: "Mas eu estou com a nota da compra!", entretanto ele disse: "São apenas normas, senhor". Pedi então para cancelar a venda, mas fui informado que não seria possível, pois já havia sido registrada.

Certo de meus direitos, sabia que se fosse adiante poderia devolver a bebida, porém resolvi fazer diferente. Contrariado, sai da loja com a lata de Ice Tea revestida pelo saquinho de plástico. Tomei a bebida e coloquei este saquinho dentro de uma gaveta que tenho em casa com outras sacolas plásticas que jamais serão utilizadas por mim.

Depois resolvo sentar em frente ao meu PC e escrever este artigo, onde gostaria de congratular à Lojas Americanas por ser a primeira a encabeçar a lista dos Inimigos da Natureza.

Lojas Americanas, seja bem-vinda ao Cadinna! Eu prometo que jamais irei comprar novamente com vocês enquanto não deixarem as sacolinhas plásticas de lado!